Há uma fronteira entre o cérebro e a existência.
É ali que escrevo.
Uma carta por mês, sobre o que sentimos — e o que isso significa.
De um lado dessa fronteira está a neurociência: os neurotransmissores, a amígdala, o eixo do estresse, tudo aquilo que acontece no corpo quando sofremos. Do outro lado está o que nenhum exame alcança — o sentido, os valores, as perguntas sobre quem somos e para onde caminhamos.
Durante muito tempo, esses dois lados foram tratados como territórios separados. Eu acredito que o sofrimento humano vive justamente na fronteira, onde os dois se encontram — e que cuidar bem é cuidar dos dois lados ao mesmo tempo. As Cartas da Fronteira nascem desse encontro.
Toda carta caminha por três terrenos
O que se sente
A descrição honesta de uma experiência difícil — a ansiedade, o vazio, a culpa, o medo — para que você se reconheça e se sinta menos só.
O que acontece no cérebro
A explicação, em linguagem clara, do que a neurociência compreende sobre aquilo — para que o que assombra possa ser entendido.
O que isso aponta
Uma reflexão sobre o sentido por trás da experiência, à luz da busca humana por significado — para que a dor não seja só suportada, mas habitada.
em algo que podemos compreender e, quem sabe,
habitar de outro jeito.”
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Sou médica, com pós-graduação em Psiquiatria, e meu trabalho se dá nessa fronteira entre o que o cérebro faz e o que a vida significa. As Cartas da Fronteira são a minha forma de estender esse cuidado para além da sala — um espaço de educação e companhia, para quem quer compreender melhor a própria mente.
